
Tenho muita pena, mas acho que nos enganámos no guarda-redes.
Deixem-me esclarecer primeiro algumas coisas:
- Não, não sou um fã do Quim, estou de acordo com a sua dispensa.
- Não, não grito por Moreira, está muito bem como 3.º guarda-redes.
- Não, não quero dar o lugar ao Júlio César.
- Sou dos que pensam que estávamos carenciados de um guarda-redes de categoria, que desse confiança à equipa, que impusesse respeito aos adversários e que valesse pontos.
- Sou dos que não se escandalizam que se dê, uma vez que podemos, 8,5 milhões de euros por um keeper com estas características.
Agora, não me fodam, Roberto não é esse guarda-redes. Bem sei que vi muito pouco do espanhol, que a minha opinião pode pecar por precipitada, mas não preciso de comer o pacote inteiro para perceber se gosto das bolachas. Chamem-me sobredotado.
Precisávamos de um guarda-redes para atacar a Champions, pagámos um balúrdio que não é vulgar pagar-se por um guardião, não é para esperarmos 3 anos por que tenha valido a pena, não é para vir estagiar, aprender, adaptar-se, recuperar-se psicologicamente. Sou o maior fã de Jesus, mas as suas escolhas para a baliza não me deixam tranquilo. Júlio César? Eich! Eduardo? Ouch! Agora Roberto... Lamento, mas não deixava a filha do Dunga escolher-me as camisas, por muito apaixonado que estivesse por ela.
Não percebo bem este fetiche por guarda-redes altos. Quer dizer, consigo perceber aquela parte de encherem a baliza, mas não estará a confundir-se um guarda-redes grande com um grande guarda-redes? Quando eu era rapazote, havia lá no bairro
(Oeiras, anos 80) um gajo assim. Era o Libório.
(Não estou a inventar um nome invulgar para tentar ser engraçado, o rapaz chamava-se mesmo assim. Como não deve haver muitos, se conhecerem algum, é capaz de ser o meu Libório; dêem-lhe um abraço do... cof... cof... Miguelucha.) O Libório, se fosse um cão, era um são-bernardo: grande, encorpado, pesado, bonacheirão... até tinha ao pescoço uma barrica com qualquer coisa que salvava vidas (já explico melhor). Não tinha grande velocidade e corria com os braços em baixo, com as mãos junto às pernas. Claro está que um gajo com estas dificuldades de locomoção tinha a baliza a chamar por si. Eu gostava muito de jogar na equipa do Libório, não por ser extremamente difícil marcar golos a um armário que escondia a baliza toda, que não era (aliás, foi ao Libório que marquei os golos mais bonitos da minha vida), mas por nessa equipa não ser preciso rodar no lugar de guarda-redes – é ou não é uma coisa que salva a vida de uma criança? Sempre foi a posição menos desejada, e na altura ainda não tinha chegado o McDonald's, a Portugal, não havia muitos
gordos para ir à baliza. Quer dizer, o Libório não era gordo, era um pouco forte, vá, como o Obélix.
Estes keepers muito altos são óptimos para levar com uma bola à figura, mas quando é preciso correr, parecem uma girafa-bebé; quando é preciso saltar, parecem o rabo do Rochemback; quando é preciso cair, parecem um funcionário público a tratar de um processo urgente; quando é preciso jogar com os pés, parecem o Balboa. É típico da sua morfologia. De Bela Katzirz a Moretto, passando por Bossio, vocês sabem do que estou a falar. De vez em quando, há dias felizes, gravados em vídeo e publicados no YouTube. Eu até já vi o Moretto defender um penalty do Ronaldinho em Camp Nou numa partida da Liga dos Campeões, portanto...
Não me fodam também os que não me deixam dizer o que penso do guarda-redes da minha equipa. Querem ver que são os meus posts que intranquilizam o moço? Tenho direito à minha opiniãozinha de merda a respeito de um guarda-redes que também me parece de merda, tenho. A seguir à opinião, se as coisas não melhorarem, vem o lenço branco. São assim os adeptos exigentes, e é com adeptos exigentes que se formam os maiores clubes do mundo. Foram as carpideiras apocalípticas que correram com o homem das vitórias invisíveis para que todos, incluindo as cheerleaders acríticas, pudessem sacudir o seu pompom no Marquês. Respeito!
Espero bem que o alarme já tenha soado. Espero bem que alguém já esteja a cogitar se não se terá enganado. Espero bem que alguém não tenha vergonha de dar o braço a torcer se se comprovar que, de facto, se enganou. Espero bem que alguém já esteja a trabalhar num plano B para o caso de ser preciso. É que a única maneira que estou a ver de Roberto garantir pontos à equipa é os seus companheiros perceberem que, com este guarda-redes, o melhor é tratarem de marcar logo meia dúzia de golos para evitar qualquer sobressalto.
Estarei a torcer para que Roberto seja o guarda-redes menos batido do campeonato, mas, desgraçadamente, não acredito que seja capaz de manter o galinheiro fechado. Vocês podem acreditar no contrário, mas, sinceramente, não sei em que se baseiam. Ah, já sei, é num vídeo do YouTube, certo? Pois muito bem, como não gosto de falar de cor, estou disposto a ser penalizado pela minha extemporânea opinião. O trapinho lá de cima está à venda por simbólicos
28,5 euros, já com IVA e portes incluídos.
Cada jogo que Roberto fizer (nem que seja só 1 minuto)
sem ir buscar a bola ao saco vale a devolução de 1 euro. Se o Roberto estiver as 30 partidas do campeonato sem sofrer golos, eu dou-vos 30 euros. E, se quiserem, podemos incluir os jogos da pré-época, a Supertaça e o camandro. Mas cada golo que o espanhol sofrer desobriga-me de devolver um dos euros a que tenham direito. Há dúvidas?
Estou ao vosso dispor no meu gabinete: boloposte@gmail.com