Quinta-feira, Março 03, 2011

Arquivo Vivo forever

O Arquivo já não é Vivo. O empedernido lampião estava em coma há mais de um mês. A família pensava que ele estava todo inchado por causa da medicação a que estava a ser submetido, mas só eu sabia que era do orgulho por esta série fantástica de vitórias consecutivas do nosso clube. Já não viu o triunfo no Dragão, mas seguramente que me ouviu gritar aqueles dois golos, que eu fiz questão de gritar por mim e por ele. Não pôde assistir à vitória em Alvalade, mas aposto um mindinho [do meu irmão] que foi o seu ventilador que nos deu fôlego para jogar mais de metade do tempo com menos um. Não chegou a ver o Benfica ganhar na Alemanha pela primeira vez, mas ninguém me tira da cabeça que o soro, nessa noite, lhe soube a borrego. Não esteve na Luz frente ao Marítimo, mas aquela remontada no último segundo só pode ter sido para mostrar aos coleguinhas dos Cuidados Intensivos o que era uma coisa dramática a valer. Aguentou até à noite de ontem e foi-se embora pouco antes de o derby começar. Tenho a certeza de que disse «hoje jogo eu» e de que é dele a assistência para o Javi. Eu estava no estádio quando me telefonaram a dar a notícia. Morreu no mesmo hospital em que as minhas filhas nasceram. Devo-lhe o meu benfiquismo (bem como, a partir de amanhã, os pés mais feios do mundo, obrigadinho) e hei-de arranjar maneira de continuar a pagar-lhe as quotas, que isso dos gajos que são de um clube só até à morte é coisa de tenrinhos. A esta hora estão todos no velório, e eu estou aqui a velá-lo à minha maneira. É que há compromissos a honrar: o Arquivo Vivo era meu pai e, se não se importam, gostaria de assumir a sua equipa no CNB. Pode ser?

Um abraço, velhote, voltaremos a ver-nos, sempre, a cada golo do Benfica.

Um abraço também para ti, Cuore Rosso.